Nadando contra a corrente só pra exercitar

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Uma louca chamada Esperança


A ausência da vida não precisa ser necessariamente a morte. A falta de sonhos e de esperança também condena a vida.

                A dor da perda é forte, Laila sabia disso. Entretanto, nunca passara por uma situação tão difícil. Sua avó morrera há pouco e ela não conseguia entender a efemeridade da vida. A garota pensava em seu passado, ao lado da avó, e em seu futuro, longe dela, fazendo com que estranhos pensamentos impregnassem sua mente.

                Tais pensamentos acabavam por confundi-la ainda mais, sendo que, então, ela deitou a cabeça com longos cachos castanhos em cima de um travesseiro e mergulhou no mundo dos sonhos.

                A relva úmida tocava seus pés e um sol forte começava a reluzir acima, fazendo com que o hálito fresco da manhã aparecesse. Laila caminhou alguns metros e, então, percebeu que ao longe havia uma pequena cabana. Correu até lá: sua curiosidade característica fazia com que os atos impensados fossem sua marca. Bateu à porta e entrou. Uma janela estava aberta bem em frente, permitindo que feixes de luz iluminassem o ambiente. Olhou para os lados e não acreditou quando viu sua avó sentada em uma cadeira de balanço bordando, como sempre fazia. Correu até ela com os olhos cheios de lágrimas, olhou para o rosto da avó e disse o quanto a amava.

                A postura da avó de Laila foi doce e, ao mesmo tempo, rígida. As duas conversaram durante algum tempo, até que a mais velha disse: “Laila, pare de preocupar-se com a morte, com o além da vida. Cuide da sua existência, trate bem aqueles que estão em volta de você e aproveite seu tempo na Terra.” A menina não conseguia assimilar o que tais palavras significavam, sendo que, então, pediu uma explicação mais coerente.

                Laila escorou a cabeça no ombro da avó e esta começou a dizer: “Há muitos anos eu tinha a sua idade Laila, tinha uma vida inteira pela frente e me indagava sobre o que isso significava. Vi e vivi diversas situações, umas ruins, outras maravilhosas, entretanto, sempre procurei estar à margem de alguns acontecimentos, imaginando que aqueles não eram problemas meus. Me enganei, minha neta. Os problemas de outras pessoas acabavam sendo, de alguma maneira, problemas meus também. Eu participei da construção do mundo atual, eu não me importei com a natureza e acabei vendo catástrofes que, auxiliadas pela irresponsabilidade humana, tomaram dimensões imensas. Eu vi pessoas matando por motivos banais e mães abandonando bebês indefesos nas latas de lixo.

                Eu vi você e suas irmãs nascerem e crescerem, eu vi crianças trocarem brinquedos simples por meios de comunicação modernos, e eu vi como as pessoas tornam-se mesquinhas quando muito dinheiro está em jogo. É Laila, as pessoas precisam retroceder um pouco no tempo para conseguirem resgatar alguns valores que acabaram sendo deixados de lado...

                Houve um tempo em que eu temia pela morte, imaginava-a como algo obscuro que retirava os seres de um convívio para nunca mais devolvê-los, entretanto, agora percebo o quanto a morte pode ser serena se comparada à falta de esperança de um ser humano.

                É por falta de esperança em um mundo melhor que muitas pessoas acomodam-se e deixam as coisas continuarem da mesma maneira, é por falta de esperança em um futuro melhor que mães abandonam filhos e que muitas pessoas cometem crimes hediondos e é por falta de esperança em uma vida melhor que diversos homens deixam de lutar...

                Assim, Laila, o que eu posso te dizer neste momento é: lute minha neta, lute. Cuide de si, cuide dos que estão em torno de você e cuide de todos aqueles que estão perdendo as forças, que estão perdendo a esperança. Essa é a maneira mais concreta de realizar uma mudança e cuidar da vida. Assim, minha neta, assim...”

                O vento soprou e deixou uma folha entrar pela janela e cair aos pés da garota. Nesse mesmo instante, Laila acordou atordoada: não podia crer em tal sonho que, ao mesmo tempo, parecia ter sido tão real.

                Ela levantou e sentou-se à beira da cama, deixando que as ideias referentes ao sonho pudessem ser organizadas em sua mente.

                Dessa maneira, paulatinamente, Laila começou a perceber o significado de tudo aquilo que ocorria em torno de si e no restante do mundo, entendeu as desgraças e os problemas atuais, percebeu que se houvesse maior entendimento entre as pessoas, mais honestidade e esperança, diversas situações poderiam ser revertidas. Além disso, lembrou que somos parte um do outro, e que a morte de qualquer ser acaba sendo a morte de uma parte de nós.  

                Laila levantou da cama e se parou em frente à janela. A vista era bonita e pássaros cantavam. Lembrou-se de tudo o que tinha passado nos últimos dias: a perda, a saudade, o desânimo. Mas também se lembrou do quanto a vida pode ser bela, do quanto as pessoas precisam ficar unidas para que o mundo se torne um lugar melhor e para que a vida torne-se mais agradável. Viu uma folha caindo e remeteu-se ao poeta Mário Quintana, que em um de seus poemas cita a louca chamada esperança... é, a esperança. É nisso que Laila agarrou-se e fez com que todos em sua volta, a partir daquele dia, agarrassem-se também: na esperança. De tal modo, as coisas só tendiam a melhorar e o mundo poderia se tornar um lugar muito mais agradável para todos.

A liberdade de todos nós

            Você acorda. Toma café da manhã, vai correr, vai trabalhar ou vai à escola. Liga o rádio, a televisão ou pega o jornal que o jornaleiro deixa diariamente em frente a sua casa. Neles, encontra as notícias mais importantes do dia, com fotos, vídeos, sons. Você acredita nisso, pois, afinal, a imprensa brasileira é livre para poder informar a todos aqueles que estiverem ao seu alcance aquilo que é relevante na atualidade, ou, simplesmente, aquilo que pode vir a despertar o interesse em alguma parte da nação.

            Não nos damos conta do quanto isso é importante, bom e vital para o desenvolvimento de um país como o Brasil. Os novos investimentos do governo, os casos de corrupção e fraudes, as taxas de alfabetização, assim como os jogos da próxima rodada do campeonato de futebol local ou europeu, são exemplos daquilo que está a nossa disposição diariamente, fazendo com que estejamos preparados para criar uma opinião sobre esses assuntos e travar diálogos com um embasamento verdadeiramente sólido.

            A liberdade de imprensa em um país ajuda a garantir uma característica vital para qualquer grande nação: ela abre um espaço para que o povo consiga desenvolver sua criticidade e discernimento para, com isso, conseguir transformar pouco a pouco a sua realidade e a daqueles que estão a sua volta, tranformando meros expectadores em personagens principais das suas histórias.

            Entretanto, essa mesma imprensa que, hoje, atua livremente já teve seus momentos sombrios, uma vez que, durante a ditadura militar brasileira, havia um constante e rigoroso controle sobre qualquer produção que pudesse mostrar ao povo aquilo que a ditadura representava de mau ao país. Dessa maneira, as músicas e as poesias complexas, cheias de significado nas entrelinhas, surgiram como um bode expiatório a alguns autores, que queriam que a população visse o que estava acontecendo.

            Felizmente, os anos passaram e a realidade mudou. Juntamente com essa mudança política, tivemos o avanço das tecnologias, que, sem dúvida, contribuíram muito para o avanço da imprensa, que atua em diversos países com uma velocidade no fluxo de informações grandiosa.

            Agora, retrocedamos no tempo e tentemos imaginar um país no qual as informações são escassas e controladas, os meios de comunicação sofrem com a censura, e a população não tem como reverter essa situação. É difícil imaginar, não? Por isso, concluimos que aquilo que parece tão cotidiano para nós é, na verdade, algo precioso, pois a liberdade de imprensa reflete a condição do país, reflete a democracia e as relações internas vigentes.

            A liberdade de imprensa não é unicamente da imprensa, mas, sim, de toda a população.