Nadando contra a corrente só pra exercitar

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cometa bobagens

Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público.
Cometa bobagens. Dispute uma corrida com o silêncio. Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento.
Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho no rio.
Fabrício Carpinejar

Mente aquele que diz que nunca pensou em cometer alguma bobagem, seja ela uma grande besteira ou apenas um 'desvio' do curso natural do seu dia. Não adianta, somos movidos pelos instintos, pela ânsia de adrenalina, pelo desejo de endorfina. Buscamos o inesperado, aquilo que nos trará satisafação. Buscamos isso de maneiras diferentes, com coisas diferentes. Mas, não há como negar: nós as buscamos sim.
E, pensando bem, não há nada melhor do que isso, do que estar fugindo do padrão, lançando-se à sorte, que sempre é extremamente tentadora.

Sonha, busca, vive!

tenho ainda muita coisa pra arrumar, promessas que me fiz e que ainda não cumpri, palavras me aguardam o tempo exato pra falar, coisas minhas, talvez você nem queira ouvir.Ana CarolinaE se tudo isso não passa de uma falácia, um conto que logo pode acabar,  não percas tempo planejando o próximo ano, viva-o. Busca tuas metas, alcança teus objetivos, saboreia tuas conquistas com o gosto de algo conquistado através do teu próprio suor. É isso que faz tudo valer a pena: a tua luta. De que adianta saborearmos uma suposta conquista nossa se esta tem o sabor do suor alheio?
Portanto, corre. Faze com que - se o conto acabar antes do previsto - ao menos uma parte do sonhado possa ter sido saboreada.  

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti" 
 John Donne

Sempre igual

Ela se virou e observou o campo verde que estava diante dela. Rochas cobriam boa parte e uma pequena cabana também fazia parte do cenário.
A cabana parecia habitada por seres não comuns, mas despertava na jovem grande curiosidade.
A garota sentia-se perdida em meio àquilo. Não sabia para onde seguir.
Ouviu a voz de seu pai ao longe, mas não sabia para qual lugar rumar.
Caminhou e sentiu a relva fria tocando-lhe os pés.

Acordou e esqueceu daquilo.

Mas existe algo estranho nessa história: o sonho veio vistá-la outras vezes, sempre com as mesmas características.

A garota divaga sobre o que aquilo pode significar.
Porém, até hoje não chegou a nenhuma conclusão, nunca teve bom desempenho na interpretação de sonhos.

Adeus, novamente.

Não percebemos a situação na qual nos encontramos toda vez que o mês de dezembro começa. Estamos tão atarefados estudando para as provas finais, marcando encontros com os amigos, comprando presentes que serão entregues na noite de Natal, que esquecemos que mais um ano está chegando ao fim: ano este que não retornará.
É fácil pensar que daqui a alguns dias mais um ano nascerá, com novas expectativas e sonhos, mas é difícil deixar para trás tudo aquilo que foi vivido ao longo daquele que está se despedindo. Muitos podem dizer "mas este ano nem foi tão bom assim", entretanto não é isso que acontece. O que acontece é que cada um de nós tem desejos distintos e o ser humano se esquece que a vontade de um não precisa ser, necessariamente, a de muitos.
Fui feliz neste ano. Mudei. Busquei aquilo que era necessário para mim. Deixei para trás tudo aquilo que me fazia mal e me deixava para baixo. Procurei a realidade em tudo aquilo que vivi.
Não me arrependo: pelo contrário, me sinto extremamente orgulhosa por isso.
Espero que novos momentos semelhantes aos vividos em 2010 possam ser repetidos, em um ano que, sem dúvidas, é esperado há muito tempo.

Até o fim

De vez em quando o temor daquilo que é novo acaba por nos invadir. É um medo infantil, que domina nossas fraquezas e nos deixa refém das próprias incertezas. Aquele medo de não sermos capazes, de não conseguirmos atingir os objetivos que, para as demais pessoas, parecem ser simples e facilmente transponíveis.
Isso me dominou.
Pensei que o meu potencial era menor que o dos demais e que aquilo que eu almejava estava prestes a escoar por entre meus dedos – assim como a areia fina da praia que escoa dos dedos das crianças que sonham em formar o maior castelo de todo o litoral. Dessa forma, estava prestes a deixar de escrever. Sim, escrever: algo que para mim é primordial e que se apresenta como uma válvula de escape, uma pequena luz para minhas minis certezas.
Mas aconteceu algo que eu não imaginava que aconteceria: recebi uma inspiração que há muito não recebia, recebi um clique que me mostrou que tudo aquilo que eu sonho para o meu futuro pode virar uma história e, quem sabe, com final feliz.
Escrevi tudo aquilo que desejava, tudo aquilo que eu sei que me deixará feliz e que pode melhorar as coisas que se encontram em estado deplorável na sociedade. Escrevi. E funcionou. Tanto é que, no dia das crianças, embora minha infância já tenha passado há alguns anos, participei de uma cerimônia que ficará na minha consciência até quando eu tiver netos e puder contar minha vida a eles.
Descobri que meus sonhos não são tolos e que meu esforço não é em vão, porque apesar do descaso de alguns, há aqueles que pensam como eu, que buscam um amanhã melhor do que o hoje e que esperam que o esforço atual possa ser revertido em momentos agradáveis e satisfatórios daqui a alguns anos.
Eu acredito nisso.
É essa a minha maior vontade.
Minha sorte foi lançada: registrei tudo aquilo que espero de mim mesma e de toda a sociedade para daqui a cerca de quatro anos e, agora, tenho que esperar.
O resultado pode ser maravilhoso, ou, então, pode acabar me decepcionando muito.
Mas eu decidi isso: irei até o fim por aquilo que almejo. E assim vai ser.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"No final das contas, porém, talvez todos devamos parar de tentar retribuir às pessoas deste mundo que apoiam nossas vidas. No final das contas, talvez seja mais sábio se render à milagrosa abrangência da generosidade humana e simplesmente continuar dizendo obrigada, para sempre e com sinceridade, enquanto tivermos voz."
                                                                                                                               Comer, rezar e amar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fugir

Ela não entendia porque o revés chegara tão rapidamente.
De repente tudo se tornou opaco. A harmonia e a beleza que sempre a rondaram de uma hora para a outra acabaram se esvaindo e seus pés, sua mente e tudo aquilo que sempre fora tão meticulosamente organizado, resolveram começar a bailar em uma sinfonia que até então não era conhecida.
Ela não sabia o que fazer. Olhava para os lados, buscava uma saída até mesmo utópica, que ao menos acalmasse seu coração.
Não era mais possível.
Ela não via mais a saída. Estava tão envolvida, estava tão sozinha, que não sabia o que fazer.
As lágrimas corriam pelo seu rosto, as pessoas tentavam acalmá-la sem saberem o real motivo daquilo tudo. Não adiantava: a solução só ela mesma conhecia.
Mas, no fundo de sua alma, desejava que houvessem outras possibilidades, pois coragem era a qualidade que, definitivamente, mais lhe faltava.

domingo, 14 de novembro de 2010

Alegres emoções

A sensação de pisar em um gramado pelo qual seus ídolos passaram - e continuam passando - é indescritível. Olhar ao seu redor e ver a arquibancada na qual milhares de pessoas vibram, torcem, transmitem energias para os jogadores que correm atrás de uma vitória em pról do seu time, é incomparável. Perceber que se é torcedora de um dos maiores times do Brasil e do mundo, de um time que vai além dos gramados, que sustenta trabalhos nos mais variados segmentos sociais, é um orgulho imenso.
Quem é colorado não torce exclusivamente para um time.
Quem é colorado não vibra apenas por um gol ou pela conquista de um campeonato.
Os colorados podem vibrar pelos gols, pelos campeonatos, pelo time, pela instituição, pelos milhares de beneficiados através dos trabalhos sociais e pela infinidade de conquistas e reconhecimentos dentro e fora do gramado.
É isso que torna um time grande: o conjunto, e não apenas uma taça.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Alicerce

Fazia muito tempo que eu não percebia a extrema importância da manutenção das amizades cotidianas nas nossas vidas. Mas, felizmente, hoje passei a perceber com extrema clareza como somos apenas parte de um todo, e que esse todo só é completo quando todas as partes passam a funcionar em harmonia.
Cada pessoa possui turmas diferentes: a do vôlei, a do basquete, a do curso de inglês, natação, francês ou, sei lá, do mandarim. Porém, todos temos ou já tivemos uma turma que é de vital importância na nossa efêmera existência: a turma do colégio. Sim, a do colégio. Aquela turma que sempre possui alguns mesmos personagens: os bagunceiros, os estudiosos, os reclamões, os esportistas. Enfim, é constituída por diferentes partes que, no final, constituirão um todo que precisa estar em harmonia, como já foi dito.
Pois bem, o valor dessa turma é imensurável.
É nela que se formam diferentes vínculos, que nos acompanharão por muito tempo e é nela que conhecemos pessoas que estão conosco quando precisamos mesmo.
Hoje, vejo com clareza que possuo um tesouro muito perto de mim: uma turma unida, com diversas diferenças mas com parcial respeito - com exceção do uso do ar condionado - e que pode ser considerada como uma segunda família para muitos, inclusive para mim.
Escrevi isso para que vocês saibam que apesar da minha possível indiferença em vários momentos, eu me sinto extremamente privilegiada de fazer parte de um grupo assim, que após quase dois anos juntos, já pode se gabar de ter uma amizade ímpar. E fico mais feliz ainda por saber que temos mais um ano juntos pela frente, um ano muito difícil, mas que sem dúvidas será o melhor para todos nós!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Verdade silenciosa

De repente surge alguém em nossa vida que é completamente diferente de todas as outras pessoas que já conhecemos. Essa pessoa não te pede um contrato de amizade, não necessita que fiquemos juntas em todos os momentos e, principalmente, muda de acordo com aquilo que precisamos: passa de uma pessoa instrospectiva para alguém extremamente sociável em um piscar de olhos: basta que sinta que precisamos dela. Essa pessoa não mede esforços para te ajudar, te escutar e tentar encontrar uma solução para aquilo que está te aflingindo. É uma amiga leal, que apesar de muitas vezes não ser igual a ti, pode ser considerada como alguém que sempre vai te entender. 
Para duas pessoas serem amigas, elas não necessitam de cláusuras, de regras, de frases prontas. Elas necessitam de olhares que se entregam, de palavras que completem as frases uma da outra. Uma amiga de verdade não precisa te ligar diariamente nem passar todo final de semana com você: ela precisa estar contigo nos sentimentos, nos sonhos. Você precisa querer dividir ao menos uma parte do seu futuro com ela, porque existe algo que vocês têm em comum.
Quando duas pessoas se unem em pról de uma amizade, não são dois corpos e muito menos dois corações que se unem: são duas almas. Uma cuidará da outra. Uma saberá quando a outra precisa de ajuda. Uma brigará e discutirá com a outra quando perceber que algo está fugindo do controle inicial.
Eu tenho uma alma que cuida de mim. Minha alma cuida de alguém também. Na verdade, minha alma zela por alguns outros alguéns. Eu não posso reclamar: eles têm cuidado muito bem de mim até agora, merecendo minha completa gratidão.
"É incrível como podemos impor medo a algum ser e, ao mesmo tempo, sermos tão pequenos e insignificantes diante do mundo. A traça corria de mim, assim como corre de qualquer outro ser humano. E eu, um ser humano, que posso ser tão imponente, estou à mercê do mundo. Basta um estalar de dedos e, pronto: posso não estar mais aqui. Tudo pode acabar mais rápido do que começou. E, infelizmente, costuma ser assim."
Reinício - Caroline Pomjé

Instinto

Escrevo para falar do futuro, para falar do passado, para me encontrar. Procuro nas palavras a melhor forma de demonstrar aquilo que está impregnado em mim e que resiste em sair sob a forma de voz: aquilo pede frases, textos. Apela por mais calma, por palavras mais bonitas, por ações mais pensadas. Mas aquilo tem razão: no final, o resultado é um reflexo do que eu realmente sou. É meu instinto. Minha defesa está na ponta do lápis, na ponta do dedos. Minha defesa está, literalmente, em minhas mãos.